Países da OCDE mais pobres e desiguais

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A desigualdade de rendimento atingiu o seu valor mais elevado na maioria dos países da OCDE, conclui o mais recente relatório desta organização, In It Together: Why Less Inequality Benefits All (21-05-2015). O coeficiente Gini médio dos países da OCDE a 18 situa-se, em 2012, nos 0,319 – o mais elevado desde que há registo.

Entre os países com maior nível de desigualdade estão o México e os Estados Unidos, com o coeficiente de Gini superior a 0,4. Pelo contrário, a Eslovénia e a Dinamarca apresentam os valores mais baixos, com um Gini inferior a 0,25. Os países nórdicos continuam a ter os níveis de desigualdade mais baixos na OCDE. No conjunto de trinta países, Portugal tem o sétimo valor mais elevado neste indicador (0,338), permanecendo acima da média da OCDE (Figura 1).

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Os 10% mais ricos da população na OCDE auferem agora um rendimento 9,6 vezes superior ao dos 10% mais pobres – em relação a 2007, houve um aumentou 0,4 pontos. No conjunto dos países OCDE, o México destaca-se como sendo o país onde a diferença entre ricos e pobres é a maior (30,5), seguido pelos Estados Unidos (18,8). Os dados para Portugal revelam que, após um período de diminuição da amplitude entre os 10% mais pobres face aos 10% mais ricos, registado entre 2007 e 2009 (-1,3), este indicador de desigualdade tem vindo a piorar desde 2010 (+ 0,6 pontos). No conjunto dos países OCDE, Portugal é o oitavo com maior desigualdade, posição que ocupa neste ano com a Coreia do Sul (ambos assinalam 10,1 no indicador) (Figura 2).

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De 2010 até 2012, último ano com dados disponíveis, a taxa de pobreza na OCDE manteve-se nos 11,7% – o valor mais elevado desde que existe registo. No conjunto dos 30 países, a Grécia é o quarto com a maior taxa de pobreza (15,1%), logo seguido por Espanha (14,1%) – os países onde a pobreza é maior são o México (21,4%), Israel (18,6%) e Estados Unidos (17,6).

Portugal é igualmente dos países com maiores níveis de pobreza (12,9%): nos últimos dois anos, é possível constatar uma subida de +0,9 pontos percentuais nesta taxa e, desde 2011, o país encontra-se acima da média da OCDE (11,7%) (Figura 3); também, a taxa de pobreza é superior nos grupos etários com menor idade (< 18 anos, 17,8%; 18-25 anos, 15,8%), o que não difere da tendência já identificada pela OCDE para os restantes países, neste e em relatórios anteriores (consultar aqui), de que, nos últimos 25 anos, o perfil da população em maior risco de pobreza mudou dos idosos para os jovens.              

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O relatório In It Together: Why Less Inequality Benefits All (OCDE, 2015), refere que, em 2012, cerca de metade da riqueza total dos agregados familiares encontrava-se concentrada nos 10% do topo da população e desta, 18% era apropriada pelos 1% do topo. Por sua vez, os 40% da base detinham apenas 3%. A forma desigual como o rendimento e a riqueza se encontram distribuídos nas sociedades contemporâneas tem impactos diretos e negativos na coesão social e confianças dos indivíduos. Embora sejam os grupos mais vulneráveis que sintam com maior acutilância as consequências negativas de sociedades mais desiguais (a OCDE refere a maior probabilidade de perda de potencial, de competências e formação educativa, e mais baixa mobilidade social), é a desigualdade que afeta os 40% da base que entrava o crescimento. Neste relatório apresentam-se algumas evidências de que um contínuo aumento das desigualdades, juntamente com um mercado de trabalho com poucas oportunidades, ajudam a minar o crescimento económico de longo prazo. E talvez o mais interessante destacar é que o aumento das desigualdades ocorreu não só nos momentos em que as economias globais estavam a crescer, como se intensificou nos períodos de crise.

Como é já costume nos relatórios desta organização, avança-se também com algumas propostas de políticas, neste caso, é referido que a promoção da maior participação da mulher na vida económica, maior promoção de mais e melhor emprego, maior qualificação e formação e a existência de um sistema de impostos e transferências para uma mais eficiente redistribuição, poderão ajudar a reduzir o crescente fosso entre ricos e pobres.

Por: Ana Rita Matias