Desigualdade de rendimento (S80/S20) em Portugal e na Europa

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Em 2014 o rendimento dos 20% mais ricos em Portugal (5º quintil) era 6,0 vezes superior ao dos 20% mais pobres (1º quintil) (Figura 1). Portugal faz parte do grupo de países onde as desigualdades de rendimento se encontram acima da média europeia (UE-28: 5,2): a Roménia (8,3), a Lituânia (7,5) e a Bulgária (7,1) apresentavam dos valores mais elevados nesta medida de desigualdade. Em comparação com o ano anterior, destaque-se a subida da desigualdade na Lituânia (de 6,1 para 7,5, mais 1,4 pontos) e na Roménia (de 7,2 para 8,3, mais 1,1).

O S80/S20 é um “rácio de percentil” calculado a partir da diferença entre o rendimento monetário líquido por adulto equivalente (ou rendimento familiar) recebido pelos 20% da população que detêm níveis mais elevados de rendimento e o rendimento auferido pelos 20% com um nível de rendimento mais baixo.

A Islândia (3,4), a Noruega e a República Checa (ambas com 3,5) são os países europeus analisados no Figura 1 que apresentam níveis de desigualdade mais baixos. Veja-se que uma boa parte dos países que têm, em termos comparativos, baixos níveis de desigualdade económica são do norte da Europa.

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O Figura 2 contém informação relativa à evolução do S80/S20 em Portugal, Grécia, Espanha e na União Europeia, entre 2004 e 2014.

Portugal apresentava em 2004 o valor mais elevado no S80/S20 (7,0), logo seguido pela Grécia (5,8) e Espanha (5,5). Tanto a Grécia, como Portugal, tiveram até 2009 uma diminuição da desigualdade, sendo que esse último ano marca uma mudança desta tendência. O aumento no valor do S80/S20 foi mais acentuado no caso grego entre 2009 e 2012 (aumentou 1 ponto, de 5,6 para 6,6) e, nos últimos dois anos, o indicador estagnou em 6,5. No caso português, o indicador em 2014 diminuiu de 6,2 para 6 (regressando ao valor registado em 2012). Em Espanha, o aumento no valor do S80/S20 iniciou-se em 2007 e atingiu o pico da desigualdade em 2014 (6,9).

O valor para estes três países tem sido sempre superior ao da UE-27, pese embora que a média europeia nesta medida de desigualdade ter vindo a subir desde 2011 (de 4,9 para 5,2, em 2013).

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Atualizado por Ana Rita Matias