Níveis de emprego dos jovens na OCDE continuam baixos

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A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publica bianualmente o relatório Society at a Glance, onde se apresenta a evolução de alguns dos principais indicadores sociais para os países membros. No último número publicado no início do mês de Outubro, o relatório deu principal destaque à situação profissional dos jovens.

Segundo este relatório, os efeitos da crise económica no mercado de trabalho, juntamente com a tímida recuperação económica, não estão a ser capazes de aumentar os níveis de emprego para os jovens na OCDE (estima-se que um em cada dez empregos detidos por trabalhadores com menos de 30 anos foram destruído entre 2007 e 2014). Segundo os dados aqui apresentados, existem atualmente numa situação de NEEF – Nem em emprego, nem em educação ou formação – cerca de 40 milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos, sendo que um quinto se encontra nessa situação há mais de um ano (NEEF de longa duração).

A OCDE identifica como perfis de maior vulnerabilidade jovens com baixas qualificações, mulheres (concluem que a probabilidade de estas caírem em NEEF é 1,4 vezes superior ao sexo masculino), jovens com deficiência ou provenientes de agregados familiares de imigrantes, agregados com baixos níveis de qualificação ou onde existem problemas de desemprego e inatividade. Em recentes publicações, a OCDE tem vindo a prestar especial atenção a questões relacionadas com a qualidade de vida e o bem-estar dos indivíduos (OCDE, How’s Life?, 2015) e, nesta publicação, a organização avisa que a falta de emprego e inatividade nos jovens, além da desvalorização das suas competências no mercado de trabalho, tem efeitos negativos nos níveis de felicidade, saúde mental, confiança e interesse político, podendo dar origem a problemas de isolamento e desintegração social. 

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Segundo a OCDE, fruto dos diferentes impactos que a Grande Recessão produziu nos países, foram salientadas desigualdades no mercado de trabalho no que diz respeito às condições que os estados são capazes de oferecer aos seus trabalhadores mais jovens: países como Austrália (64%), Países Baixos (66%), Suíça (70%) e Islândia (72%) viam em 2015 mais de metade dos seus jovens empregados, enquanto que nos países do sul da Europa apenas entre um quarto a um terço dos jovens estariam a trabalhar (Figura 1). A OCDE refere que nos países onde a taxa de emprego jovem é maior, existe uma maior tendência para que os jovens estejam a trabalhar e a estudar ao mesmo tempo – note-se que nos Países Baixos (32%), Suíça (28%) e Islândia (34%), cerca de metade dos jovens também estudava, enquanto que em países como a Grécia (2%), Itália (2%), Espanha (6%) e Portugal (4%), apena um em cada vinte encontra-se nessa situação.

Estima-se, igualmente, que cerca de 14,6% (mais 1,1 p.p. do em 2007, 13,6%) do total dos jovens na OCDE estaria, em 2015, numa situação onde não estudavam ou estavam em formação, nem trabalhavam (NEEF), sendo este um indicador que se agravou com o período de crise económica e financeira. Os países onde essa realidade é mais significativa são Itália (26,9%), Grécia (24,7%), Espanha (22,7) (Figura 2).

figura-2_noticiaEm Portugal, a percentagem de jovens em NEEF subiu de 2007 para 2013 em 5,5 pontos percentuais (de 13,3% para 18,8%). Desde então há sinais de redução no indicador, embora a proporção de jovens portugueses que não estão a trabalhar, a estudar ou em formação continue acima dos níveis atingidos antes da crise (2008) – em 2015 o valor situava-se nos 15,1%. No boletim complementar sobre o caso português, a OCDE conclui que o desemprego jovem foi o fator com maior influência no aumento dos NEEF no país (Figura 3): entre 2009 e 2013, houve um aumento de jovens NEEF à procura de emprego (desempregados) de 4,7 pontos percentuais, de 7,9% para 12,6%. Segundo a OCDE, o custo deste fenómeno é estimado pesar 1% do PIB português. 

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 Por: Ana Rita Matias