O desenvolvimento humano (IDH) em 2015 no mundo e em Portugal

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Em 2015, África contínua a apresentar um Índice de Desenvolvimento Humano mais baixo das demais regiões do globo. No hemisfério sul dominam os países com um nível de desenvolvimento humano baixo ou médio, enquanto no hemisfério norte quase todos obtêm uma pontuação considerada elevada ou muito elevada.

No conjunto dos 38 países com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado baixo, 8 em cada 10 são africanos (Quadro 1) . Os três países com índice de desenvolvimento humano mais baixo são Chade (0,396), Níger (0,353) e República Centro-Africana (0,352). Entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Moçambique (0,418), Guiné-Bissau (0,424) e Angola (0,533) são, respetivamente, o 8º, 11º e 39º países com um IDH mais baixo. Cabo Verde (0,648) e S. Tomé e Príncipe (0,574), fazem parte do grupo de países com o IDH Médio.  

A maioria dos países da OCDE e todos da UE-28 possuem um IDH muito elevado (> 0,80 pontos), sendo que a Noruega (0,949), seguida pela Austrália e a Suíça (com um IDH de 0,939 pontos), apresentam os valores mais elevados de desenvolvimento medidos por este indicador.

Entre os países da UE-28, doze têm um nível de desenvolvimento superior ao valor médio de IDH Muito Elevado (>0,892, cf. Quadro 2) – Áustria, Finlândia, Bélgica, França, Luxemburgo, Reino Unido, Suécia, Irlanda, Holanda, Dinamarca e Alemanha.

Entre os 51 países com Índice de Desenvolvimento Humano muito elevado e no total dos 188 países e territórios, Portugal ocupa a 41º posição no ranking, com um valor em 2015 de 0,843. Entre 2010 e 2015, o país subiu uma posição no ranking do IDH.

Quadro 2

No quadro 2, compara-se os valores do Índice de Desenvolvimento Humano e componentes, entre 1990 e 2015, por níveis de desenvolvimento e regiões do mundo. Ao longo dos últimos 25 anos, o IDH da média mundial aumentou 0,12 pontos, de 0,597 para 0,717 (o que consiste num crescimento médio anual de 0,74%).

Continuam a persistir assinaláveis diferenças entre níveis de desenvolvimento e regiões do planeta no que respeita às componentes do IDH: esperança de vida à nascença; média de anos de escolaridade; anos de escolaridade esperados; produto Nacional Bruto (PNB) per capita. 

Note-se, como exemplo, que o Produto Nacional Bruto (PNB) per capita entre a média de países com IDH Muito Elevado (39,605 PPP$) é cerca de 15 vezes superior ao valor registado nos países com IDH Baixo (2,649 PPP$) e a esperança de vida à nascença (79,4 anos) é cerca de 20 anos superior (59,3 anos). No que refere à escolaridade esperada, estima-se que em países com IDH Baixo, esta seja cerca de 7 anos inferior quando comparado com o IDH Muito Elevado.  

Em nenhuma das regiões definidas pelo Relatório de Desenvolvimento Humano encontra-se um IDH considerado “muito elevado” (0,800 ou acima) (Quadro 2): Europa e Ásia Central é a região com o maior nível de desenvolvimento (0,756) e, juntamente, com a América Latina e Caraíbas (0,751) e o Este da Ásia e Pacífico (0,720), fazem parte do IDH considerado “elevado” (0,700-0,799).  O valor de IDH do Sul da Ásia (0,621) e os Estados Árabes (0,687) corresponde a um IDH “médio” (0,550-0,699). No relatório publicado pelas Nações Unidas (2017), é referido que o Sul da Ásia foi a região que, entre 1990 e 2015, teve, em termos médios, o maior crescimento (1,4% ao ano). Por fim, África Subsaariana (0,523) é a única que apresenta um IDH considerado “baixo” (menos de 0,550).

O Quadro 3 apresenta a evolução do IDH e componentes, em Portugal, entre 1990 e 2015. Nos últimos 25 anos, o IDH português subiu 0,132 pontos (um crescimento médio anual de 0,68%). O período de 1990 e 2000, marca o momento de maior crescimento neste indicador (em média, 0,97% ao ano), o que se manifestou numa melhoria nas várias componentes. Porém, desde 2010, a evolução dos valores do IDH tem sido mais ligeiro (em média, 0,59% ao ano), o que em parte é explicado pelo efeito da componente do PNB per capita (nomeadamente, entre 2010 e 2012). 

Desde 1990, a esperança média de vida em Portugal subiu em 6,9 anos (em 2015, situava-se nos 81,2 anos), a média de anos de escolaridade aumentou em 2,7 anos (em 2015, era de 8,9 anos) e os anos de escolaridade esperados em 4,8 anos (em 2015, 16,6 anos).  Por fim, o Produto Nacional Bruto (PNB) per capita (PPP$) português subiu cerca de 29,1% nos últimos 25 anos (de 20,223 PPP$ para 26,104 PPP$). Portugal continua a distanciar-se de forma muito clara dos demais países com um IDH muito elevado, em particular, nos anos médios de escolaridade e PNB per capita.

Atualizado por: Ana Rita Matias