Participação feminina no mercado de trabalho diminuiu nos últimos seis anos em Portugal

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Fig1_Portugal_Taxa de atividade

Em 2016 a taxa de atividade feminina em Portugal era de 53,5% (menos 2,4 p.p. do que em 2010). Em 2016, o Algarve, a Área Metropolitana de Lisboa e a RA da Madeira apresentavam a maior participação feminina no mercado de trabalho; Norte, RA dos Açores e Centro, os valores mais baixos.

A figura 2 retrata a taxa de atividade feminina na União Europeia, em 2015. Nesse ano, a Suécia era o país europeu com os maiores níveis de participação feminina no mercado de trabalho (61,3%), seguida dos Países Baixos (58,8%) e Dinamarca (57,8%). Por sua vez, era entre os países do Sul da Europa onde se verificava as menores taxas de atividade feminina, nomeadamente, na Grécia, Malta e Itália, com valores entre os 44,7% e 39,8%. Noutros países do Sul, como Chipre (57,7%), Portugal (53,8%) e Espanha (53,1%), os valores da participação feminina no mercado de trabalho eram superiores à média europeia (UE28 = 51,3%).

O Quadro 1 revela evolução deste indicador em Portugal, entre 2000 e 2016. A taxa de atividade feminina em Portugal teve uma evolução positiva em todas as regiões do país entre 2000 e 2010, conhecendo um aumento de 3 pontos percentuais: de 52,9% para 55,9%. Ao longo desta década, a região Centro deteve a maior taxa de atividade feminina (58,4% em 2000 e 60,5% em 2010), seguida pelas regiões do Norte (53%, em 2000 e 55,6% em 2010) e de Lisboa (53,9%, em 2000 e 55 em 2010).

Desde 2010, a taxa de atividade feminina no país diminuiu 2,4 p.p. (de 55,9% para 53,5%, em 2016), redução comum à maioria das regiões (-7.6 pp no Centro a -0.2 pp no Alentejo) com a exceção de Lisboa, Algarve e Região Autónoma dos Açores.

Entre 2010 e 2016, a Região Autónoma dos Açores foi onde a participação feminina no mercado de trabalho mais subiu – de 46,8% em 2010, para 52,4% em 2016 (mais 5,6 pontos percentuais). Contudo, os Açores integram com o Norte (ambos com 52,4%) e o Alentejo (49,5%), as regiões com a menor presença feminina no mercado de trabalho em 2016.

Segundo os dados mais recentes para este indicador, era no Algarve (56,6%), seguida pela Área Metropolitana de Lisboa (55,9%) e Região Autónoma da Madeira (55,2%), onde se encontrava os níveis mais elevados de atividade feminina do país. 

O quadro 2, dá a evolução do indicador, agora segundo a idade, para o mesmo período temporal. O grupo etário 35-44 anos alcança o valor de 90%, o valor mais elevado, em 2016 (um aumento de 10,1 pontos percentuais, a partir dos 79,9%, em 2000). O grupo dos 25 aos 34 anos, foi até 2015 o segmento etário onde se verificou a maior presença feminina no mercado de trabalho (86,6% em 2000; 89,5 em 2015). 

A faixa etária que acusa o maior aumento durante o período em análise é o grupo dos 45-64 anos: de 68,6%, em 2000, para 81,1%, em 2016 (mais 12,5 pontos percentuais). No sentido oposto, no segmento etário dos 15-24 anos a tendência tem sido de diminuição (menos 9,7 pontos percentuais), o que se explica pelo aumento da participação escolar.

A relação entre a participação feminina no mercado de trabalho e a escolarização pode ser observada no Quadro 3.

Não havendo uma relação linear entre a taxa de atividade feminina e o nível de escolaridade, destaque-se o facto das mulheres detentoras de um diploma do ensino superior serem as que apresentavam uma maior presença no mercado de trabalho ao longo de todo o período em análise, com valores balizados entre os 86,9%, em 2000, e os 81,9%, em 2016. Estes valores salientam-se por se situarem substancialmente acima dos números relativos aos restantes níveis de escolaridade, embora revelando uma ligeira tendência decrescente (menos 5 pontos percentuais entre 2000 e 2016). São as mulheres que possuem apenas o 1º ciclo do ensino básico que detiveram não só a menor taxa ao longo do período, como a maior descida na taxa de atividade: de 53,7%, em 2000, para 28,2%, em 2016 – uma diminuição de 25,5 pontos percentuais. Em tendência contrária, mulheres com o ensino secundário subiram a sua atividade em 12,2 p.p. ao longo das últimas décadas (de 60,8%, em 2000, para 73%, em 2016).

Atualizado por: Ana Rita Matias