Desemprego estimado, registado e de longa duração

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Desemprego em Portugal diminuiu fortemente nos últimos anos, mas ainda é um dos mais elevados da UE28.

Portugal era, no ano de 2016, o sexto país da UE28 que apresentava um nível de desemprego mais elevado: 11,2%, para uma média de 8,6%. Os países mediterrânicos e a Croácia são, aliás, os que registam valores mais elevados para este indicador. Os países da OCDE não pertencentes à UE integrados na Figura 1 encontram-se entre o lote dos que têm taxas de desemprego mais baixas (ver também o Quadro 5).

A taxa de desemprego refere-se à proporção dos desempregados existente no universo da população activa.

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No universo de países da UE28, a taxa de desemprego feminina é 0,4 p.p. superior à masculina. A Grécia é, destacadamente, o país onde essa desigualdade tem um cariz mais veemente: a taxa de desemprego feminina é cerca de oito p.p. superior à masculina. Em Espanha esse hiato é de 3,3 p.p, na Eslováquia e em Itália é cerca de 2 p.p., e inferior a 1 p.p. na maior parte dos casos (em Portugal essa diferença é de 0,2 p.p.). Cerca de metade dos países analisados apresentam níveis de desemprego feminino superior ao masculino – principalmente países da Europa central, do norte e do báltico. As diferenças existentes também não são muito expressivas.

Desemprego_quadro 1

O Quadro 2 demonstra que a incidência do desemprego tende a diminuir à medida que aumenta a idade do trabalhador. Curiosamente, nos dois países que têm uma taxa de desemprego mais elevada para o total da população, essa tendência não se aplica. Na Grécia e em Espanha, é o grupo etário intermédio (25-39 anos) que regista níveis de desemprego mais elevados.

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O Quadro 3 permite observar um facto que diferencia Portugal dos demais países europeus. Enquanto a regra geral é a de que o nível de desemprego diminui à medida que se aumenta o nível de escolaridade, em Portugal a taxa de desemprego da população que não foi além do ensino secundário ou pós-secundário é ligeiramente superior à da população que concluiu no máximo o ensino básico. Na Grécia a grandeza destes dois indicadores é também semelhante. Portugal é igualmente um dos países considerados na análise em que a taxa de desemprego da população com formação superior mais se aproxima da taxa de desemprego para a população total: em Portugal essa proporção é de 3/4, a média nos países da UE28 é de 59%.

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A Figura 2 apresenta informação relativa à evolução da taxa de desemprego, ao desemprego estimado pelo INE e ao desemprego registado pelo IEFP entre 1998 e 2016. A evolução do desemprego estimado e registado é medida pelo eixo esquerdo do gráfico (N, milhares) e a da taxa de desemprego pelo eixo do lado direito (%). A trajectória dos três indicadores em questão tende a assemelhar-se: diminuição nos primeiros anos do período analisado, aumento e estilização até ao ecoldir da crise em 2008 (o desemprego registado diminuiu em 2006 e 2007), aumento muito pronunciado até 2013 e descida continuada nos anos posteriores. É interessante constatar que na primeira metade do período analisado o desemprego administrativamente registado pelo IEFP é mais elevado do que o estimado pelo INE. Durante a crise económica e financeira, e principalmente após o ano de 2010, essa realidade inverteu-se. Em 2013, a diferença entre o número estimado de desempregados e o número de desempregados registados nos centros de emprego era de cerca de 165 mil indivíduos.

A taxa de desemprego em 2016 representava quase o triplo da existente em 1998. O valor mais elevado deste indicador no período analisado é de 16,3%, em 2013. Desde esse ano, até 2016, a taxa de desemprego recuou 5,2 p.p..

A taxa de desemprego no primeiro e segundo trimestres de 2017 fixou-se em 10,1% e 8,8%, respectivamente (Ver também o Quadro 6).

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O desemprego de longa duração, que diz respeito a quem se encontra numa situação de desemprego há pelo menos 12 meses, constitui a parte maioritária do desemprego em Portugal. Desde 2013 que mais de 60% da população desempregada do país se encontra nessa situação há pelo menos um ano. Embora se verifique uma diminuição ligeira do valor deste indicador em 2016 face a 2013, ocorreu um agravamento da proporção dos desempregados que se encontram nessa situação há mais de dois anos – a diminuição do desemprego de longa duração nesse período de tempo deveu-se à diminuição da duração do desemprego entre os 12-24 meses.

A taxa de desemprego de longa duração em 2016 diminuiu cerca de 3 p.p. face ao valor de 2013: 6,9% para 10,0%.

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Informação estatística complementar:

Desemprego_quadro 5

Desemprego_quadro 6

 

Actualizado por: Frederico Cantante