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Subutilização da força de trabalho: o perfil social

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As mulheres, os mais jovens e os menos escolarizados são os grupos mais afectados por este tipo de situações.

A taxa de subutilização da força de trabalho é um indicador estatístico através do qual é possível complementar e aprofundar a análise do desemprego, alargando o alcance da mesma a situações próximas deste fenómeno (ver metainformação do INE,  metainformação do Eurostat – Indicators to supplement the unemployment rate – e apresentação da ILO). Tal como se evidenciou aqui, a taxa de subutilização do trabalho é, em Portugal e em vários países europeus, significativamente superior à taxa de desemprego.

Do ponto de vista da composição social da população que se enquadra nesta categoria, constata-se que as mulheres são mais abrangidas por este fenómeno do que os homens, embora no último ano do intervalo temporal em causa na Figura 1 se observe uma diminuição dessa desigualdade quer em relação ao ano anterior, quer em relação a 2011.

Subutilização_perfil social_Fig. 1

Embora o INE não disponibilize informação suficientemente detalhada em relação à incidência da subutilização laboral por grupo etário, é possível constatar que os mais novos (15-24 anos) apresentam para este indicador valores muito acima do apurado para a média da população portuguesa e para os outros dois grupos analisados na Figura 2. Veja-se que, entre 2012 e 2015, mais de metade da população com idade entre 15 e os 24 anos encontrava-se numa situação de subutilização laboral, tendo a grandeza desse indicador diminuído nos dois anos seguintes.

Subutilização_perfil social_Fig. 2

A Figura 3 demonstra que existe uma desigualdade significativa no que diz respeito à incidência da subutilização do trabalho de acordo com o nível de escolaridade. De facto, a taxa de subutilização da população que não foi além do ensino básico é oito p.p. mais elevada do que a dos que concluíram o ensino superior. Em termos relativos, a diferença entre estas duas categorias escolares é mais ampla quando se analisa a taxa de subutilização do que quando se atenta na taxa de desemprego: a taxa de subutilização da população com baixas qualificações escolares é 57% mais elevada do que a dos que concluíram o ensino superior; quando o indicador em análise é a taxa de desemprego, essa diferença é de 44% (12,1% e 8,4% em 2016, respectivamente).

A taxa de subutilização da população que não foi além do ensino secundário ou pós secundário aproxima-se mais da verificada entre os que não foram além do básico do que da população com formação superior. Tal sucede também quando se analisa a taxa de desemprego. Mas enquanto a taxa de desemprego da população com formação intermédia apresentava, no ano de 2016, um valor sensivelmente acima do apurado para os menos escolarizados, em relação à taxa de subutilização aquela categoria escolar apresenta valores mais reduzidos face aos dos que não foram além do ensino básico. Ou seja, enquanto o desemprego afecta de forma semelhante estas duas categorias escolares, a subutilização da força de trabalho é um pouco mais penalizadora para os trabalhadores com baixas qualificações escolares do que para os que têm um nível de formação ao nível do secundário ou pós-secundário.

Subutilização_perfil social_Fig. 3

As duas tabelas seguintes contêm informação relativa à composição dos indicadores suplementares de desemprego (o trabalho a tempo parcial involuntário; os inactivos à procura de emprego mas não disponíveis; e os desencorajados, isto é, os inactivos disponíveis para trabalhar mas que não procuram trabalho), de acordo com a variável sexo e nível de escolaridade.

Entre os três indicadores suplementares de desemprego, aquele em que existe uma maior desigualdade entre homens e mulheres é, destacadamente, o trabalho parcial involuntário (ou subemprego). Em quase todos os países o subemprego feminino é mais elevado do que o masculino. É interessante constatar que a maior parte dos países em que essa desproporção é mais expressiva provém da Europa central: Alemanha, França, Bélgica, Luxemburgo e Suíça. Ou seja, países ricos. Ainda assim, o país que apresenta um maior desnível entre a percentagem de mulheres e de homens no total da população subempregada é a República Checa: ¾ desse universo são mulheres, o que equivale a uma diferença de mais de 50 p.p entre o peso relativo das mulheres e o dos homens. Em Portugal, essa diferença é de cerca de 24 p.p., abaixo do valor apurado para os países da UE-28 (30 p.p.).

Em relação aos inactivos indisponíveis, existe um desnível de 7,1 p.p. entre o valor apurado para as  mulheres e para os homens no quadro dos países da UE-28. Dos três indicadores analisados, este é o que apresenta assimetrias de género mais esbatidas.

No que diz respeito às desigualdades entre homens e mulheres no universo dos inactivos desencorajados (indivíduos que deixam de procurar trabalho, embora estejam disponíveis para trabalhar), as desigualdades mais expressivas entre mulheres e homens tendem a verificar-se em países no sul da Europa, nomeadamente em Espanha, na Grécia, em Chipre e em Malta.

Subutilização_perfil social_Quadro. 1

O Quadro 2 apresenta informação para a composição escolar dos trabalhadores que se encontram numa situação de subemprego e dos desencorajados. Introduziram-se também dados relativos à composição escolar do total da população de cada país (neste caso, com idade entre os 15-64 anos) com o intuito de controlar a sua amplitude nos dois indicadores suplementares de desemprego.

A composição escolar do grupo dos trabalhadores subempregados é próxima da verificada em relação ao total da população de cada país. Há, no entanto, países em que essa relação é desproporcionada. Na Bulgária, na Eslováquia, na Roménia e na Islândia a percentagem de subempregados com escolaridade básica é 26%, 25%, 22% e 16% mais elevada do que o nível de escolaridade apurado para o total da população de cada um desses países, respectivamente. Ou seja, as baixas qualificações escolares são aí especialmente penalizadoras. Em vários países, essencialmente do norte e centro da Europa, a percentagem de trabalhadores subempregados com formação superior é cerca de 10 p.p. ou mais inferior face à registada para o total dessas populações.

No universo da população desencorajada o efeito da escolaridade é mais forte. Veja-se que a percentagem de desencorajados com o ensino básico no conjunto da UE é cerca de 19 p.p. acima do registado em termos médios para as populações desses países. Na Suécia essa diferença é de 39 p.p.. Se a comparação tiver como referência a população com o ensino superior, conclui-se que a percentagem de desencorajados com esse perfil formativo na UE-28 representa menos de metade do seu peso no total da população. Portugal acompanha essa média. O título académico parece assumir-se, portanto, como um factor que mitiga significativamente as situações de desencorajamento laboral.

Subutilização_perfil social_Quadro. 2

 

Actualizado por: Frederico Cantante

 

Taxa de desemprego e de subutilização da força de trabalho

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Cerca de ¼ da populacão portuguesa encontrava-se, em 2016, numa situação de subutilização laboral.

A taxa de desemprego é o indicador tipicamente usado para analisar o aproveitamento da mão-de-obra disponível no mercado de trabalho. A emergência cada vez mais significativa de situações limítrofes ao desemprego, associadas aos tempos de trabalho involuntariamente limitados e a formas de inactividade não relacionadas, por exemplo, com a aposentação ou a incapacidade prolongada, veio problematizar esse facto. Neste âmbito, a Organização Internacional do Trabalho propôs que para além do fenómeno do desemprego fosse também medida a subutilização do trabalho, indicador em relação ao qual várias instituições têm disponibilizado informação. Do ponto de vista metodológico, enquanto a taxa de desemprego resulta da divisão dos desempregados pela população activa (pop. desempregada + pop. empregada), a lógica que preside ao cálculo da taxa de subutilização do trabalho é diferente. Desde logo porque o seu numerador resulta da soma da taxa de desemprego e de outras três variáveis (o trabalho a tempo parcial involuntário; os inactivos à procura de emprego mas não disponíveis; e os desencorajados, isto é, os inactivos disponíveis para trabalhar mas que não procuram trabalho). Ou seja, tem em consideração situações estatisticamente classificadas como sendo de emprego, desemprego e inactividade. Também a lógica de formação do denominador deste indicador tem particularidades: resulta da soma da população activa e da força de trabalho potencial (os dois tipos de inactividade mencionados), equivalendo à força de trabalho extensiva (extended labour force) (ver metainformação do INE,  metainformação do Eurostat – Indicators to supplement the unemployment rate – e apresentação da ILO).

A Figura 1 permite analisar a evolução da taxa anual de desemprego e a de subutilização entre 2011 e 2016, em Portugal. De 2011 a 2013 verificou-se um aumento muito significativo da taxa de desemprego (na ordem dos 3,6 p.p.), tendência ainda mais expressiva no que à taxa de subutilização da força de trabalho diz respeito (aumento de cerca de seis p.p.). Em 2016, a taxa de subutilização regressou aos valores de 2011 e a taxa de desemprego fixou-se quase dois pontos percentuais abaixo do valor apuradado para este ano. É interessante constatar que desde 2013 o rácio entre a taxa de desemprego e  taxa de subutilização do trabalho diminuiu um pouco. Naquele ano a taxa de desemprego representava cerca de 65% da taxa de subutilização, em 2016 esse valor é de 57%. Ou seja, a taxa de desemprego diminuiu de forma mais expressiva desde o ano que marcou o pico da crise económica e financeira do que o indicador que tem em linha de conta situações de desemprego real e de subemprego.

Desemprego e subutilização_Fig 1

A Figura 2 apresenta informação relativa à taxa de subutilização do trabalho nos países europeus, em 2016. Os países que apresentam para este indicador valores mais elevados provêm do sul da Europa. Portugal insere-se neste grupo e é o sexto país que apresenta um valor mais elevado (a mesma posição que apresenta para a taxa de desemprego) .

Desemprego e subutilização_Fig 2

A figura seguinte diz respeito ao peso relativo que cada um dos três indicadores suplementares à taxa de desemprego  assume – indicadores esses que, com a taxa de desemprego, formam o conceito de subutilização da força de trabalho. Em todo os países as situações mais relevantes são o trabalho a tempo parcial involuntário e a inactividade desencorajada – os inactivos indisponíveis têm uma expressão bastante menor, excepção feita ao verificado na Lituânia, no Luxemburgo e também na Suécia. Enquanto que na maior parte dos países o subemprego é a modalidade de subutilização mais significativa, em Portugal tal aplica-se ao grupo dos inactivos desencorajado – embora a diferença face ao subemprego seja diminuta, ao contrário do que sucede em países como a Bulgária, a Croácia, a Itália, a Estónia ou a Hungria.

Desemprego e subutilização_Fig 3

Actualizado por: Frederico Cantante

Despesas totais em proteção social representavam 26,9% do PIB em 2014

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Portugal apresenta para este indicador um valor um pouco abaixo do verificado em termos médios nos países da UE-28. Em 2014, as prestações sociais associadas à velhice representavam 50% do total das despesas em proteção social. 

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Participação feminina no mercado de trabalho diminuiu nos últimos seis anos em Portugal

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Fig1_Portugal_Taxa de atividade

Em 2016 a taxa de atividade feminina em Portugal era de 53,5% (menos 2,4 p.p. do que em 2010). Em 2016, o Algarve, a Área Metropolitana de Lisboa e a RA da Madeira apresentavam a maior participação feminina no mercado de trabalho; Norte, RA dos Açores e Centro, os valores mais baixos.

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Utilização de internet: em Portugal mais de metade da população teve acesso à internet em 2016

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Desde 2009, o uso da internet pela população portuguesa tem vindo a aumentar. No entanto, Portugal ainda se posiciona entre os países com os menores níveis de utilização da União Europeia. Na UE-28 verifica-se maior frequência na utilização da internet entre a população mais jovem e com maiores níveis de escolaridade.

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O desenvolvimento humano (IDH) em 2015 no mundo e em Portugal

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Em 2015, África contínua a apresentar um Índice de Desenvolvimento Humano mais baixo das demais regiões do globo. No hemisfério sul dominam os países com um nível de desenvolvimento humano baixo ou médio, enquanto no hemisfério norte quase todos obtêm uma pontuação considerada elevada ou muito elevada. Leia o resto deste artigo »

Em Portugal, as mulheres ganham, em média, cerca de menos 18% que os homens

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A disparidade salarial entre homens e mulheres (Gender Pay Gap) na União Europeia a 28 registava em 2015 o valor de 16,3% – o que significa que as mulheres ganharam, em média, menos 84 cêntimos por cada 1 euro ganho por um homem (Eurostat,  Do women still earn less than men?).

Na medição das desigualdades salariais, o Eurostat calcula a diferença de ganhos de género não ajustada (unadjusted Gender Pay Gap (GPG)). Leia o resto deste artigo »

Abandono precoce de educação e formação: Queda abrupta do indicador tende a convergir com média europeia

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figura1

Portugal registou em 2015 uma queda de 3,7 pontos percentuais face ao ano anterior

O abandono de educação e formação é um dos indicadores que melhor expressa as desigualdades educacionais entre países. A unidade de análise é uma percentagem da população com idade entre os 18-24 anos que concluiu no máximo a escolaridade básica e não está a estudar ou a receber formação.

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Desigualdade de rendimento (S90/S10) entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres diminui em 2014

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Em Portugal, após um período em que a diferença de rendimento entre os 10% mais ricos face aos 10% mais pobres aumentou durante quatro anos consecutivos, os últimos dados para 2014 revelam uma ligeira diminuição das desigualdades.

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Desigualdade de rendimento (S80/S20) em Portugal e na Europa

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s80s20_1_2014

Em 2014 o rendimento dos 20% mais ricos em Portugal (5º quintil) era 6,0 vezes superior ao dos 20% mais pobres (1º quintil) (Figura 1). Portugal faz parte do grupo de países onde as desigualdades de rendimento se encontram acima da média europeia (UE-28: 5,2): a Roménia (8,3), a Lituânia (7,5) e a Bulgária (7,1) apresentavam dos valores mais elevados nesta medida de desigualdade. Em comparação com o ano anterior, destaque-se a subida da desigualdade na Lituânia (de 6,1 para 7,5, mais 1,4 pontos) e na Roménia (de 7,2 para 8,3, mais 1,1).

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